quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Desculpem a ausência..,

Olá meus queridos seguidores estive ausente durante algum tempo (cerca de 2 meses e meio), mas se vos apraz saber tenho as obras terminadas 😃
A casinha esta prontíssima para receber a bebé MR 🦊🎀 contudo devo-vos informar que tendo em conta que estou muito grávida, tipo a duas semanas de ser mãe deverei desaparecer por outro tempo indefinido. Não vos queria abandonar sem antes falar do processo doloroso que foi chegar a este momento de felicidade. Vou falar-vos de um problema que hoje em dia cada vez mais surge nas redes sociais e media, que é a infertilidade. Minhas amigas e amigos não estão sozinhos e acreditem isto já não é tema tabu. Hoje no programa “Agora nós” do canal RTP 1, se abordava a famosa temática da gestação de substituição, em que estiveram presentes um padre, um juiz e um psicólogo, avaliando o assunto de diferentes perspectivas, todas elas válidas e inseparáveis. Está é uma situação que me faz especial comichão, porque me conheço e não sei se conseguiria optar por esta solução caso a minha situação de infertilidade assim o exigisse. Gostaria de partilhar convosco o meu caminho até chegar aqui, foram 7 longos anos, comecei aos 28 anos, pensando ainda sou muito nova e isto deve ser só stress ou então ossos do ofício, pois trabalho por turnos. Acreditei no SNS durante 7 anos e nunca me descobriram o ‘problema’, também pensei que estivesse relacionado com a minha poliartrite reumatoide ou a minha espondiloartrite axial e com o facto de fazer imensa terapêutica, mas não. Foi preciso ir a uma clínica privada e com uma simples análise do cariotipo descobriram todos os meus problemas, o Síndrome de Turner incompleto, ou seja, um chamado mosaisismo. Tenho 70% da células normais e 30% anormais, o que faz com que tenha uma aparência ‘normal’. Este síndrome justifica a minha doença reumatológica e a minha infertilidade, que poderia ser pior...podia ter nascido sem útero e aí teria de por em questão se recorreria a gestação de substituição, não foi necessário. Mas questionei o médico se conseguiria engravidar com os meus óvulos que eram tão poucos e com 35 anos estou com valores dignos de pré-menopausa ou se seria melhor recorrer a uma dádiva de ovocitos de dadora, sendo que a opinião técnica mais valida seria essa mesmo, pois podia andar mais 10 anos a tentar sem sucesso...e acreditem o custo monetário e psicológico é exorbitante. Decidimos recorrer a dadora sem esperança nenhuma de conseguirmos, pois pensámos que seria quase impossível conseguir, a questão que se punha era: “quem é tão altruísta ao ponto de doar algo deste género?” Fiquem sabendo, foi um mês!!! E engravidei no espaço de outro mês, de gémeos! Perdi um infelizmente às 7 semanas 😣 mas quando ao fim de 7 anos engravidamos também é difícil acreditar que é real, tive momentos de incredulidade e quase sensação de incapacidade de ser mãe, pois foi tanto tempo a tentar que chegamos a pensar se somos realmente merecedores de tamanha dádiva. Tive períodos em que me senti deprimida, mas já passou...é importante partilhar, pois ainda existe o estigma, a vergonha, principalmente sentida pelo homem...mas ninguém é culpado, temos de ter solução para podermos concretizar os nossos sonhos, o de sermos pais 🦊🎀